Páginas

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu quero ser o padrinho

exuzepilintraCerta vez li em uma revista de Umbanda, cuja não lembro o nome agora, um relato curioso sobre Zé Pelintra.

Vamos a ele.

Contava que uma mulher, Maria, ia em um terreiro, cujas giras eram de 15 em 15 dias, às sextas-feiras. Em uma dessas sextas-feiras Maria saiu tarde do serviço e sabendo que não daria tempo para ir ao terreiro, chateada foi para casa. Enquanto caminhava, começou a pensar em um sonho que estava tendo há dias: Seu Zé Pelintra aparecia pra ela e dizia que queria ser o padrinho e ela não entendia, padrinho do que? Maria estava completamente absorta nos seus pensamentos e não percebeu que ela estava próxima de dois garotos sentados na entrada da ruela em que ela morava. Os dois garotos se levantaram e anunciaram o estupro. Maria não tinha nada a fazer, ela estava sozinha e os dois garotos eram mais fortes.

fant-renoirsantos2Ela, sem muitas opções, fechou os olhos para não ver tal atrocidade, qual não foi sua surpresa que ela ouviu algo como dois golpes de capoeira. Os dois garotos caíram mortos ao lado de Maria que, em choque, desmaiou. No dia seguinte acordou no hospital, onde ela descobriu estar grávida e onde contaram-lhe sobre o paradeiro dos dois garotos. Quinze dias depois, Maria foi no terreiro e lá estava seu Zé Pelintra em terra, e quando este avistou Maria, logo lhe disse:

- Em afilhado meu, nego nenhum põe a mão.

Essa história, lenda, relato, verídica ou não, é uma história que me emociona muito, pois tenho nutrido dentro de meu coração um carinho muito grande por seu Zé Pelintra.

O que podemos extrair deste texto é que os guias de fato, olham pela gente, mesmo que não sejamos o cavalo, o instrumento de trabalho, deles, nos mostram que com fé qualquer inimigo pode ser derrubado, qualquer mal pode ser afastado do caminho. Em outras palavras, nunca perca sua fé.

Leia Mais ►

sábado, 25 de junho de 2011

O Idiota

moedas (1)

Conta-se que numa cidade do interior um grupo de pessoas se divertia com o idiota da aldeia. Um pobre coitado, de pouca inteligência, vivia de pequenos biscates e esmolas.

Diariamente eles chamavam o idiota ao bar onde se reuniam e ofereciam a ele a escolha entre duas moedas: uma grande de 400 Réis e outra menor de 2.000 Réis. Ele sempre escolhia a maior e menos valiosa, o que era motivo de risos para todos.

Certo dia, um dos membros do grupo chamou-o e lhe perguntou se ainda não havia percebido que a moeda maior valia menos.

- Eu sei. – respondeu o tolo. – Ela vale cinco vezes menos, mas no dia que eu escolher a outra, a brincadeira acaba e não vou mais ganhar minha moeda.

Podem-se tirar várias conclusões dessa pequena narrativa.

A primeira: Quem parece idiota, nem sempre é.
A segunda: Quais eram os verdadeiros idiotas da história?
A terceira: Se você for ganancioso, acaba estragando sua fonte de renda.

Mas a conclusão mais interessante é: A percepção de que podemos estar bem, mesmo quando os outros não tem uma boa opinião a nosso respeito.

Portanto, o que importa não é o que pensam de nós, mas sim, quem realmente somos. O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente. Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação, porque sua consciência é o que você é, e sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam… é problema deles!

Créditos: JUS- Jornal de Umbanda Sagrada

Leia Mais ►

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O arrogante

1arroganteVocê é o “Cara”? E eu sou o Exu!

Lá na Bahia, dizem que o cabra quando canta bem, dança bem, fala melhor ainda, requer ser o primeiro da fila nas coisas boas, julga ter os melhores protetores espirituais, fala com todos os Orixás e de Olorum é o escolhido. Da coisas de rezas, todas conhece, firmezas e assentamentos. Os ebós, participou dos mais eficientes. Da Jurema foi mestre e no catimbó, assessorou o Santo. O Candomblé, o traduziu dos africanos e sabe mostrar nos búzios o que vai acontecer.

Nas pradarias e campos abertos, enlaçou o bezerro para os boiadeiros. Cantou no mar para as Sereias. Firmou a balança de Xangô e nas mesmas pedreiras e cachoeiras, projetou o amor que é de Oxum. É um exímio curador e de tanto saber, quer ensinar. Denomina-se o professora dos professores, quando não, o douto se interpõe na cátedra da vida, acima das conquistas, evitando em falsetes os que o questionam e sempre quer aprimorá-los pois considera-se o melhor.

Diz que quando quer, vai às Trevas e ampara-o os de lá o atendendo no que pedir. Noutras, repara os maus dos homens quando o recebe segundo promete, o Senhor do Bonfim. Diz ter amplo trânsito e resolve todos os problemas.

Então dizem que este cabra é o “Cara”! E ele todo cheio de si, fica perguntando: “Quem é o Cara?”
Dizem logo os interessados: “É tu!”
E ele logo sentencia bons agouros para seus fiéis interesseiros.

Mas como ele não vê o ar porque não dá para dominá-lo e assim, ninguém pergunta, mas o ar o vê e registra tudo; então Ogum vai à Lei deixando ele limpar tudo, levando os interesseiros, magos negros, mercadores da falsa fé, egoístas e preguiçosos para com a Luz do Senhor do Bonfim e de Olorum pois sempre tem um Marinheiro às suas esquerdas, remando forte, cercando com suas redes os “peixes” que se emocionaram nas mesmas sintonias.

O sabe-tudo, que é o Cara, vai alimentando-se de ilusões. Parece que não conhece o sofrimento que lhe avisa dos erros e assim vai enganando a todos que nele crêem, sempre com os objetivos que são a coleção do que lhe convêm, sobretudo mais dinheiro, posses e poder. Mulheres também, porém, como ele diz, só as que o reconhecem como Rei.

Falso malandro de conversa fiada encontrou um dia forte capoeira versado e cruzado nas linhas de UMBANDA SAGRADA que humildemente firmava para seu Santo na mata e , incomodado, pediu-lhe o silêncio no favor, ouvindo então que ele é que deveria silenciar-se pois, afinal, estava em frente do homem que era o “Cara”!

Sabendo de sua história, o filho de fé não interveio e na continuidade de suas preces, pediu auxílio para o incômodo.

Caboclo VentaniaPois era o que faltava! Ninguém se atrevera a desafiar o seu enunciado e pretensioso poder. Assim, abriu-se um portal e Exu Tranca Ruas travestido na figura de simples caboclo, surgiu do seu lado anunciando vender cocos e disse:

- Quer coco sinhô? Vendo coco, sinhô! – e ouviu:

- Cabra, tu é louco? Olha quanto coqueiro carregado de frutos que tem aí, e tu vens vender coco aqui? Ouça o que lhe digo pois eu sei de tudo.

-Eu sei, meu rei…. você é o Cara!

Viu neste momento o sorriso soberbo nos lábios do vanglorioso sendo reconhecido que manifestou:

- Óxente, tô vendo que tu não é louco, mas diga lá, cabrinha, o que tu queres, já que me reconheceu? Eu te concedo um pedido. Qualquer coisa, diga lá.

- Hum … não preciso de nada …

- Como não, homem? Tá aí todo rasgado, todo magro e carregando coco que ninguém vai comprear pois tem de graça por aí… diga o que quer, eu concedo, eu sou o Cara.

- Quero nada não sinhô.

- Ora, peça: Quer dinheiro? Quer mulheres? Quer posses?

- Então tá bem, já que o sinhô insiste, eu peço.

- Peça logo que tenho que mostrar pro cabra aí rezando quem sou eu!

- Tá bom. Eu quero ser o CARA!

- O quê? Impossível… só tem um Cara abaixo de Olorum e dos Orixás e acima das Trevas e este cara sou eu.

- Mas o senhor prometeu…

- Ah, mas esse pedido não pode. Tu escolhe outro.

- Mas não pode por quê?

- Porque eu sou o escolhido.

- Mas, e quando tu morrer?

- Ora, eu falo com o maioral das almas e volto.

- Puxa vida! E como o sinhô consegue essa proeza do maioral?

- Ora, eu vou alimentando-o.

- E com quê?

- Óxente, tá querendo saber demais. Com coco é que não é, ha ha ha! Mas é com a vida de idiotas como tu, ha ha ha…

- Deve ser mesmo, sinhô porque o que a gente vê dentro do sinhô é como num coco, só que no coco tem polpa e água e tu, é oco e não tem nada…

- O quê? Como tu ousa falar assim comigo? Agora é que não vai levar nada de bom e ainda vai ganhar um feitiço daqueles.

- O que vai fazer?

- Vou transformar tu num coco… quer ver?

- Quero não, mas duvido que consiga?!

Então o “Cara’ projetou uma das suas magias mais negativas, mas nada aconteceu. Fez de novo e de novo e nada! Resmungou:

- Quem és tu, homem que faz meu poder ser falho contra tu?

- Não sou ninguém, apenas um humilde vendedor de cocos.

- Humilde? O que é isso? Humildade para mim é pobreza de espírito. Eita! E eu perdendo meu tempo com tu.

- Espera aí, sinhô, faz favor, só mais uma pergunta: o sinhô tem fé?

- Mas é lógico, nojento. O que quer perguntando tudo isso?

- Em quem o sinhô acredita… para quem direciona sua Fé?

- Quer saber, idiota, vou te dizer pra depois te destruir nem que seja com a minha peixeira. Eu tenho fé em mim porque os ridículos homens que nem você me dão tudo  quando falo que tenho o poder de realizar o que querem, aí vou inventando estórias que me dão mais poder, e eu fico sendo o “Cara”.

- E o sinhô está feliz sendo o “cara”?

- Lógico, eu tenho um poder imenso sobre as pessoas que me seguem e me procuram e um dia vou ficar muito forte e dominar todo o país, talvez o mundo porque os idiotas sempre querem facilidades para seus benefícios. São medrosos e fáceis de convencer pois é só sentindo medo que acreditam.

- Puxa, realmente o sinhô tem Fé mas a usa erroneamente.

- Ora, seu safado, já perdi tempo demais com tu. Venha cá, prometo que não vai doer e por ter-me oportunado vou enfiar-lhe a faca bem rapidinho no seu coração, tá? Logo você vai estar no céu, ha ha ha;;;

- Não, por favor, eu tenho Fé que só Olorum pode tirar a vida e se alguém o fizer, vai sofrer a maior praga da Lei Maior.

- Ora…não tenho medo de praga. Eu sou o “Cara”. Praga nenhuma me pega. mas já que disse, me responda antes de morrer: qual a maior praga?

- É aquela que afunda para o pior inferno!

- E qual é?

- É a falta de humildade, a mentira que falseia a própria Fé e as dos outros.

- Como é?

- É isso, mas pensei que soubesse pois o senhor não falou que é o “Cara”?

- Sou sim e pela bobagem que falou, vai morrer bem devagarzinho.

Então, o “Cara” sacou seu afiado facão e num golpe certeiro, cortou o pescoço do probre caboclo porém, estarrecido viu que ele nada sentiu e, ao contrário, sentiu o golpe em si, e emdor e prantos a molhar sia garganta, o sangue próprio que lhe vertia já desamparando sua vida.

tranca_ruasAnte o desencarne, sua visão projetou-se no espírito. Viu a figura do Sr. Exu Tranca Ruas. Ouviu sua sentença:

- Trabalho bom que fez para as trevas, hein? Limpou muitos da sua terra para a Lei Maior, he he he… pois saiba que todas estas sombras aí do seu lado são os espíritos dos que você enganou e iludiu em nome da Fé, que semelhantes a você não se pertubaram com a necessidade de aprimorarem os conhecimentos, a razão e a emoção nas Verdades do Espírito. Porque a pior sentença, dentre as piores, é aquela que a soberba, a mistificação, a falta de humildade no saber, a inversão das verdades Divinas, as mentiras, a arrogância faz, no proceder a ilusão e o pior mundo das verdades. Afunde agora, afinal você é o “Cara”, mas eu sou o Exu, he he he!

Ao lado, o humilde guerreiro – o capoeira – encerrou suas preces, agradecendo pois naquele coco que firmara abriu-se o portal que recolheu mais um MISTIFICADOR das coisas de Deus para as Trevas.

O muito mais para baixo. O Embaixo em que todos os “Caras” tem que provar que realmente são os tais, os sabem-tudo, aqueles que pisam no sentimento dos irmãos necessitados de esclarecimentos, de amor, de perdão. Aqueles que contrariam a caridade, o amor e a Fé, escravizando irmãos e a si pelos seus vícios que invertem conhecimentos e retardam a salvação para tantos.

Mas isso aconteceu na Bahia. E nas outras praças, será que existem outros “caras”? Se Exu for visitar a sua, poderá indagar sem ofensas que o “Cara” é tu? Óxente!

Então que Nosso Senhor do Bonfim abençoe a Todos e a Todas as Praças na Graça Maior da Humildade Dele e dos Sagrados Orixás que vêm da Infinita Humildade de Olorum que nos concede TUDO e só pede o reconhecimento de que fazemos parte Dele por Amor, via humildade, respeito e gratidão.

Saravá ao Povo da Bahia!
É da Bahia, óxente!

Mensagem enviada por João Jorge
Lacerda (Lacerdinha) e Vovô Florentino de
Agodô por Douglas O. Elias
Créditos JUS – Jornal de Umbanda Sagrada

Esse texto me fez lembrar uma postagem da @AndreaDestefani em que ela escreveu uma frase magnífica que resume meu pensamento em relação ao “Cara” : “O arrogante não evolui, porque já sabe tudo.” 
E para completar me lembro da resposta que dei ao
@AnjodeAruanda quando tuitou que o primeiro degrau do Paraíso era a Gentileza. Eu respondi que o segundo, era a Humildade. Nós nunca saberemos tudo porque o único que detém tal conhecimento é Deus e mesmo porque se assim o fizéssemos não teria fundamento encarnar e evoluir. E termino essa postagem com essa frase: O cara que é o CARA não se exibe pra ninguém, nem se acha, nem se vangloria, nem pisa nas pessoas, nem esfrega isso no rosto de ninguém, pois seus feitos falam por si, o reconhecimento vem através de seu trabalho, através de seu esforço. E aquele que se acha o CARA geralmente seus feitos dão errados e no fim ele ainda terá que aplaudir aquele que se manteve humilde.

Leia Mais ►

sábado, 23 de abril de 2011

Ogum–Parte VII

Para finalizar deixo minha mensagem.
Parabéns Orixá Guerreiro, Parabéns Ogum por seu dia. Agradeço vossa presença ao meu lado, acompanhando-me nessa caminhada da vida, abrindo meus caminhos, derrubando meus inimigos e vencendo as demandas, meus sinceros agradecimentos.
E a única coisa que lhe peço em seu dia é que abençoe e proteja cada pessoa que por aqui passar e olhai com ternura e carinho por todos que lhe são devotos.
Salve Ogum com sua força, coragem e bravura.
Salve quebrador de demandas.
Salve Orixá Guerreiro, nobre cavalheiro.
Ogunhê!
Caro leitor, fico por aqui. E deixo o link, caso haja interesse, do lindo conto de uma grande escritora, Bia Machado, que o escreveu em um dia de muita inspiração, chama-se:  A filha de Oxum e o Orixá guerreiro, vale muito a pena conferir: http://mp-umbanda.blogspot.com/2010/08/filha-de-oxum-e-o-orixa-guerreiro.html
Aqui me despeço, até a próxima postagem!! :)
Leia Mais ►

Ogum–Parte VI–Curimbas

toolbar-music-folder-240x240Continuando o bloco Ogum, postarei algumas curimbas.

 

 

 

Ogum, Iansã e Oxum
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

 

O que se ganha de Ogum só Ogum pode tirar.
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

 

 

Ogum Matinata
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

 

Ogum Iara
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA

 

Ogum já venceu
Get this widget | Track details | eSnips Social DNA
Leia Mais ►

Ogum–Parte V

ogumDando continuação às lendas…

 

Ogum dá ao homem o segredo do ferro

Na Terra criada por Oxalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole. Por isso o trabalho exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era necessário plantar uma área maior. Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área de lavoura. Ossãe, o orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Ossãe, todos os outros Orixás tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio. Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão. Ogum respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá. Os Orixás invejaram Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra.

Por muito tempo os Orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si. Os Orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogum aceitou a proposta. Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de ferro. Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada. Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogum se decepcionou com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los. Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu. Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogum o segredo do ferro não o esqueceram. Todo mês de dezembro, celebravam a festa de Uidê Ogum. Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogum.  Ogum é o senhor do ferro para sempre.

Ogum livra um pobre de seus exploradores

Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um babalawo, que o mandou fazer um ebó na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogum, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ogum e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro (mariwo), e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez. Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo marido.

 

Ogum chama a Morte para ajuda-lo numa aposta com Xangô

Ogun e Xangô nunca se reconciliaram. Vez por outra  digladiavam-se nas mais absurdas querelas. Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois. Eram, os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ogum propôs a Xangô uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse.  Xangô fez alguns gracejos, Ogum revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente. Ogum propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. Quem juntasse mais, ganharia. e quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta. Puseram-se de acordo.

Ogum deixou Xangô e seguiu para a casa de Iansã, solicitando-lhe que pedisse a Iku (a morte) que fosse à praia no horário que tinha combinado com Xangô. Na manhã seguinte, Ogum e Xangô apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou. Cada um ia pegando os búzios que achava. Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. Ogum, calado, continuava a coleta. O que Xangô não percebeu foi a aproximação de Iku. Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto. Xangô soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku.  À noite Ogum procurou Xangô, mostrando seu espólio. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta.

Créditos: Sociedade Espiritualista Mata Virgem

Leia Mais ►

Ogum–Parte IV

ogumDepois das características de Ogum e de seus filhos, postarei as lendas Dele, contudo dividirei esse post em dois devido a extensão das lendas.

Como Ogum Virou Orixá

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé.

Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê e matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! - "Ogum Rei de Irê!"

Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, "akorô". Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô - "Ogum dono da pequena coroa".

Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede. Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma. Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

 

Lenda de Ogum Xoroquê

Uma vez ao voltar de uma caçada não encontrou vinho de palma (ele devia estar com muita sede), e zangou-se de tal maneira que irado subiu a um monte ou montanha e Xoroquê (gritou Ferozmente ou cortou cruelmente do alto da montanha ou monte), cobrindo-se de sangue e fogo e vestiu-se somente com o mariwo, esse Ogum furioso chamado agora de Xoroquê, foi para longe para outros reinos, para as terras dos Ibos, para o Daomé, ate para o lado dos Ashantis, sempre furioso, Guerreando, lutando, invadindo e conquistando. Com um comportamento raivoso que muitos chegaram a pensar tratar-se de Exu zangado por não ter recebido suas oferendas ou que ele tivesse se transformado num Exu (talvez seja por isso que chegue a ser tratado como sendo metade exu por muitos do candomblé). Antes que ele chegasse a Ire, um Oluwo que vivia lá recomendou aos habitantes que oferecessem a Xoroquê, um Aja (cachorro), Exu (inhame), e muito vinho de palma, também recomendou que, com o corpo prostrado ao chão, em sinal de respeito recitassem o seus orikis, e tocadores tocassem em seu louvor. Sendo assim todos fizeram o que lhes havia sido recomendado só que o Rei não seguiu os conselho, e quando Xoroquê chegou foi logo matando o Rei, e antes que ele matasse a população Eles fizeram o recomendado e acalmaram Xoroquê, que se acalmou e se proclamou Rei de Ire sendo assim toda vez que Xoroquê se zanga ele sai para o mundo para guerrear e descontar sua ira chegando ate a ser considerado um Exu e quando retorna a Ire volta a sua característica de Ogum guerreiro e vitorioso Rei de Ire.

Créditos: Sociedade
Espiritualista Mata Virgem

Leia Mais ►