sábado, 28 de junho de 2014

EU sou UMBANDISTA

umbandista3A IDENTIDADE de “umbandista”, na maioria das vezes, é algo que deve ser criado, por meio de cultura, informação e fundamentação da fé religiosa na Umbanda.

Se o praticante, adepto ou frequentador não se sentir “umbandista” não irá criar para si esta identidade. Temos ainda um problema no Brasil, a Igreja católica criou a identidade de “católico” mesmo para quem não frequenta e não acredita no catolicismo. Assim, as pessoas acreditam que ser católico não tem nada a ver com crença e sim com um rótulo, uma forma de etiqueta, que lhe foi colocado por meio do batismo e que só pode assumir outro “rótulo” se passar por uma “desrotulação” e nova rotulação. Um problema, afinal, pertencer a uma religião de fato tem a ver com sua crença, sua fé, seus valores, sua verdade e claro, com certeza, sua prática.

E assim temos milhares, ou milhões de pessoas, que acreditam na Umbanda, frequentam a Umbanda, tem sua verdade na Umbanda, encontraram seus valores na Umbanda e ainda carregam um rótulo de católico. Afinal, este é um rótulo de comodidade, ao se afirmar católico, evita-se qualquer conversa sobre religião, não há mais nada a ser dito.

Caso alguém queira questionar, se encerra o assunto dizendo que é católico não praticante e que, inclusive, é “um pouco” espiritualista ou esotérico.

Agora, para afirmar uma identidade Umbandista, é preciso saber explicar o que é Umbanda, é preciso estar pronto para as reações mais preconceituosas, é preciso ter sua fé fundamentada, é preciso estar seguro do que é a Umbanda. Para afirmar esta identidade. é precimo mais que apenas frequentar, é preciso conhecer. A Umbanda não deve vir como um rótulo. Muitos procuram a Umbanda e querem logo se batizar para trocar de rótulo e, quando lhe perguntam sua religião, dizem: sou umbandista, batizado e confirmado!

Seja, sim, umbandista, mas não carregue isso como um novo rótulo, seja umbandista por amor, consciência e conhecimento de causa. Seja umbandista por reconhecer a verdade na Umbanda, seja umbandista por crer na Umbanda, seja umbandista por viver a Umbanda de corpo, alma e coração.

Quando isto acontecer de fato, então, encha o peito de ar e diga com todas as letras de forma bem aberta e clara, com orgulho: EU sou UMBANDISTA.

por: Alexandre Cumino
Fonte: Jornal de Umbanda Sagrada

Equipe Umbanda Sete

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domingo, 22 de junho de 2014

O médium e o palco

retirado de: http://www.redeamigoespirita.com.br/group
/mediunidade/forum/topics/consciencia-e-mediunidade

É muito comum, infelizmente, vermos irmãos de jornada caindo nas garras do egocentrismo, da vaidade e do orgulho. Esquece-se que somos apenas instrumentos da espiritualidade, que os conselhos dados, que as palavras de consolo proferidas, que os passes energéticos, que os trabalhos magísticos, não são força ou poder do médium, mas, sim, manipulação das energias provenientes do guia comunicante.

Porém, vemos muitos, que começam quietos, mas que, com o tempo, passam a achar que seu mentor é o melhor, que o outro é ignorante, que os outros estão fazendo tudo errado e que são incapazes.

Pior ainda quando se pensa que ninguém mais sabe agir a não ser ELE mesmo. O Ego grita nesse momento, tentando se libertar e dominar o pobre instrumento que a espiritualidade tentou trabalhar. Ele vê seus mentores e guias operarem verdadeiras façanhas através de seu aparelho mediúnico, vê pessoas que chegam chorando aos pés dos guias saírem rindo e resolverem suas vidas, curas sendo proporcionadas, e assim acreditam que ELES que detêm o poder em suas mãos, e que são auto-suficientes.

Eis que começam as aberrações, os shows, giras viram espetáculos, e os mentores, já não podendo se sintonizar adequadamente com seu aparelho mediúnico, se “afastam”. Veja bem, não é o mentor que se afasta na realidade, mas o instrumento de comunicação se torna tão grosseiro e tão impróprio que é incapaz do mentor se familiarizar com suas emanações energéticas. Então, outros espíritos que se sintonizam a essas energias se aproximam, com intenções não tão nobres.

Então é culpa do obsessor? Não! Pois nem sempre são obsessores que fazem esse tipo de trabalho, mas a própria psique desequilibrada do médium que toma a frente dos trabalhos, passando este a agir como se estivesse manifestando um mental alheio. Porém é ele.

Eis porque a reforma interior é tão importante para todos os médiuns, neófito ou ancião, experiente ou iniciante. A reforma interior é vital para uma boa conduta mediúnica. pois precisamos compreender e aceitar que somos apenas o receptáculo de mentais alheios, e se assim o somos, devemos esperar sintonizar espíritos comprometidos com a Lei Maior e a Justiça Divina.

A moral duvidosa expõe um alvo para o baixo astral e as frequências negativas. A primeira lição a aprender é que não somos os detentores do poder; a segunda lição que deve ser aprendida simultaneamente é que não devemos jamais julgar quem pede ajuda.

Não se julgue “O" porta-voz dos mortos, eis que você é apenas um dos muitos porta-vozes. O médium não está em uma casa só pra servir de instrumento para as dores dos outros, mas também para suas, para aprender e para evoluir, coibindo suas próprias paixões desvirtuadas.


Mediunidade não é incorporar um espírito, mas incorporar os valores que esse espírito representa: compaixão e humildade.

por: Douglas Rainho - contatos: drainho@perdidoempensamentos.com

Equipe Umbanda Sete
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sábado, 21 de junho de 2014

Peregrino do amanhecer

retirado de:
http://ciganosencantados.blogspot.com.br/

2013/10/exu-gato-preto.html
Minha saga é tão longa como a criação do mundo. Vou resumir pra não cansar.

Em tempos perdidos na história, uma caravana de ciganos passava por um local esquecido por Deus, onde a peste tomava conta. O nobre senhor das terras não sabia mais o que fazer: morria o gado, as plantações pereciam e o povo passava fome. O chefe da caravana foi pedir licença pra acampar apesar da triste situação. Embora relutante, o senhor das terras concordou.

Passados alguns dias, novamente o chefe cigano foi visitar o fidalgo e disse que tinha a cura para tal desgraça. Após longa conversa, ambos de acordo, o cigano mandou limpar todo o mato às margens do riacho e atar fogo, eliminando ervas daninhas que envenenavam as águas e o solo. Disse que era a maneira de agradecer a hospedagem.
A jovem senhora, esposa do nobre, se encantou com o cigano. Porém, esse, sempre respeitoso, jamais traiu a confiança do hospedeiro. Mas o ciúme tomou conta e houve uma luta entre o fidalgo e o cigano. Na lutam o senhor caiu e morreu. O cigano, embora inocente, foi morto pelos homens do local.

Em um novo tempo, um cocheiro corcunda, todo torto, miserável, vivia entre os cavalos na estrebaria em uma vila. Vivia de esmolas. Certa vez, um nobre senhor pediu ao cocheiro que o levasse até a beira do rio onde iria pegar uma embarcação. Quando chegaram, ele desceu e falou ao cocheiro: “Hoje suas dores acabarão”.

Na volta, o coche bateu em uma pedra e caiu no rio. O corcunda desapareceu. Era o amanhecer de uma nova era. O cigano/cocheiro voltava às suas terras, junto com o seu povo. Hoje ele é um guardião da luz, chamado de EXU GATO.

Assim conto minha história. Um peregrino em busca da iluminação. Não sou diabo. Sou um filho de Deus como você.

por Elizabeth Zappelini - retirado do Jornal de Umbanda Sagrada



Equipe Umbanda Sete.
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terça-feira, 25 de março de 2014

Julgar o passado

Passado

 

Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado

Em geral, quem constrói o futuro está muito ocupado para julgar o passado. Desde pequenos, quando recebemos notas na escola, nos acostumamos com avaliações e julgamentos. Ao julgarmos o passado - de uma época ou de uma pessoa -, sentimos a falsa segurança de ter fechado uma porta.

Ao mesmo tempo, todo julgamento esconde o orgulho de quem se considera dono da verdade. Também revela grande insegurança. De sua posição inatingível, aquele que julga se comporta como soberano e crítico das ações alheias.

Como a vida é um caminho para a frente, é muito mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que já passou, como nos diz Nietzsche. Além disso, as pessoas que agem estão livres de preocupações, que normalmente ocupam a cabeça das que não se movem.

Podemos observar o mundo de duas maneiras: virando a cabeça para trás ou prestando atenção no que temos à nossa frente.

E você? Que caminho prefere?

Retirado do livro Nietzsche psrs estressados de Allan Percy
Créditos: JUCA - Jornal de Umbanda Carismática.

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segunda-feira, 24 de março de 2014

Riqueza


Dinheiro

Tenho a intenção de processar a revista “Fortune”, porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão do Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro.

Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.
E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não? Vou mostrar a vocês:
Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como. Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para minha; filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos. Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos. Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo. Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso. Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo. E eu tenho fé em Deus que vale pra mim amor infinito. Pode haver riquezas maiores do que a minha? Por que, então a revista “Fortune” não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta?

E você como se considera? Rico ou pobre? 

Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é… DINHEIRO.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Conversando sobre Exu

Dizem que Exu é um homem sério, castigador, espírito sem compaixão alguma. Muitos falam que nem mesmo sentimento essas entidades apresentam. Muitos temem Exu, relacionando-o com o Diabo ou com algum monstro cavernoso que a mente humana é capaz de criar. Bem, dia desses, no campo santo de meu pai Omulu, vi algo inusitado que me fez pensar...

Um desses Exus Caveiras, que apresentam essa forma plasmada como meio de ligação a falange pertencente, chorava sobre um túmulo. Discretamente, isso devo dizer, afinal os Caveiras em sua maioria são de natureza recatada e introspectiva, mas chorava sim. Engraçado pensar nessa situação, não é mesmo? Ele chorava pelos erros do passado, chorava por uma pessoa a qual amava muito, mas não mais perto dele estava. Claro, sabia que ninguém morria, mas a saudade e o remorso apertavam fundo seu coração.

Isso acontece muito no plano espiritual, onde muitas vezes os laços são quebrados devido às diferenças vibratórias. Na verdade o laço não se quebra, apenas afrouxam-se um pouco...Mas, voltando a nossa história, fiquei a pensar muito sobre aquele tipo de visão. Pensei que ninguém acreditaria em mim caso eu contasse esse "causo", afinal, Exu é homem acima do bem e do mal, exu não tem sentimento, exu não chora...

E para aqueles então que endeusam "seu" Exu, pensando ser ele um grande guardião, espírito da mais alta elite espiritual, espírito corajoso, sem medos, violento guerreiro das trevas. Exu acaba assumindo na Umbanda um arquétipo, ou mito, tão supra-humano, que muitas vezes ele deixa de ser apenas o mais humano das linhas de Umbanda. Arquétipo esse, diga-se de passagem, muito diferente do Orixá Exu, arquétipo base para a formação do que chamamos de Linha de Esquerda dentro do ritual de Umbanda.

É, eu acho que todo Exu chora. Assim como eu e você também. Inclusive, todo mundo chora, pois todos temos dores, remorsos e tristezas. Isso é humano. Mas, voltando ao campo santo...Logo vi um Exu, vestindo uma longa capa preta, se aproximar do triste amigo Caveira. O que conversaram não sei, pois não ouvi, e muito menos dotado da faculdade de ler os pensamentos deles eu estava. Mas uma coisa é certa: Os dois saíram a gargalhar muito!

"Engraçado, como é que pode? Tava chorando até agora, e de repente sai rindo de uma hora pra outra?", pensei contrariado.

Fiquei alguns dias refletindo sobre isso, e cheguei a uma conclusão. A principal característica de um Exu é o seu bom humor. Afinal, mesmo em situações muito complicadas, eles sempre têm uma gargalhada boa para dar. Na pior situação, mesmo que de forma sarcástica, eles se divertem. Ele pode escrever certo por linhas tortas, errado por linhas retas, errado em linhas tortas ou sei lá mais o que, mas uma coisa é certa, vai escrever gargalhando.

Admiro esse aspecto de Exu. Tem gente que de tanto trabalhar com Exu torna-se sério, "faz cara de mau", vive reclamando da vida além de tornar-se um grande julgador.

A verdade é que nunca vi Exu reclamar de nada, nem julgar a ninguém. Pelo contrário, o que vejo é que Exu nos ensina a não reclamar da vida, pois tem gente que passa por coisa muito pior e o faz com honra e... Bom - humor!

Vejo também que Exu não julga ninguém, afinal, quem é ele, ou melhor, quem somos nós para julgarmos alguém? Exu ensina que o que nós muito condenamos, assim o fazemos porque isso incomoda. E saber por quê? Porque tudo que condenamos está em nós antes de estar nos outros. Por isso Exu não gosta daquele que é um falso pregador, aquele que vive dizendo como os outros devem agir, vive dizendo o que é certo, vive alertando os outros contra a vaidade, vive julgando, mas no dia a dia pouco aplica as regras que impõe para os outros. O mundo está cheio deles. E Exu sorri quando encontra um desses. Mais para frente eles serão engolidos por si mesmos. Pela própria sombra. Mas Exu não ri porque fica feliz com isso, muito pelo contrário, ele até sente por aquela pessoa. Mas já que não dá pra fazer outra coisa, o melhor é sorrir mesmo, não é?

O certo é que a linha de Exu nos colocar frente a frente com o inimigo! Mas aqui não estamos falando de nenhum "kiumba", mas sim de nós mesmos. O que eu já vi de médium perdendo a compostura quando "incorporado" com Exu não é brincadeira. Muitos colocam suas angústias pra fora, outros seus medos e inseguranças, muitos seus complexos de inferioridade. Tudo isso Exu permite, para que a pessoa perceba o quanto ela é complicada e enrolada naquele sentido da vida.

Mas dizem que o pior cego é aquele que não quer ver, e o que tem de gente que não quer enxergar os próprios defeitos...E não sobra opção a Exu, a não ser sorrir e sorrir mesmo quando nós nos damos mal.

Mas, ainda falando dos múltiplos aspectos contraditórios de Exu, pois ele é a contradição em pessoa, devo ainda relatar mais uma experiência contraditória em relação a sua natureza.

Dia desses, depois de um "pesado trabalho de esquerda", fiquei refletindo sobre algumas coisas. E sempre que assim eu faço, algo estranho acontece.

Nesse trabalho, muitos kiumbas, espíritos assediadores, obsessores, eguns, ou sei lá o nome que você queiram dar, foram recolhidos e encaminhados pelas falanges de Exu que lá estavam presentes. Sabe como é, na Umbanda, a gente não pega um livro pesado e começa a doutrinar os espíritos "desregrados da seara bendita". A gente entra com a energia, com a mediunidade e com os sentimentos bacanas, deixando o encaminhamento e "doutrinação" desses amigos mais revoltados nas mãos dos guias espirituais.

Esse trabalho foi complicado. Muitos, na expressão popular, estavam "demandando o grupo", ou seja, estavam perseguindo nosso grupo de trabalho e assistência espiritual, pois tinham objetivos e finalidades diversas e opostas. Ninguém tinha arriado um ebó na encruzilhada contra a gente, eram atuações vindas de inteligências opostas ao trabalho proposto e atraídas pelas "brechas vibratórias" de nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas que na Umbanda ainda acha-se que tudo que acontece de errado é culpa de algum ebó na encruzilhada, isso é verdade...

Bom, o que sei é que alguns dias depois, durante a noite, enquanto eu dormia, alguém me levou até um estranho lugar. Eu estava projetado, desdobrado, desprendido do corpo físico, ou qualquer outro nome que vocês queiram dar. Fenômeno esse muito estudado por diversas culturas espiritualistas do mundo. Fenômeno esse muito comum também dentro da Umbanda, mas pouco estudado, afinal, muitos pensam que Umbanda é "só incorporar" os guias e de preferência de forma inconsciente! Sei, sei...Olha Exu gargalhando novamente!

Nesse local, um monte de espíritos eram levados até a mim e eu projetava energias de cura em relação a eles. Vi várias pessoas projetadas no ambiente, inclusive gente muito próxima, do grupo. Alguns pouco conscientes, outros ainda nada conscientes. Mas, o importante era e energia mais densa que vinha pelo cordão de prata e que auxiliava no tratamento daqueles irmãos sofredores.

Por quanto tempo fiquei lá não sei, afinal a noção de tempo e espaço é muito diferente no plano astral. O que sei é que em um certo momento um Exu, que tomava conta do ambiente, veio conversar comigo:

- Tá vendo quanto espírito a gente tem "pego" daquelas reuniões que vocês fazem? - perguntou o amigo Exu.

- Nossa, quantos, muito mais do que eu podia imaginar.

- E isso não é nada, comparado aos milhares que chegam, diariamente, "nas muitas casas" dos guardiões da Umbanda espalhados pelo Brasil.

- Poxa, mas isso é sinal que o pessoal anda trabalhando bem, não é mesmo?

- Hahahaha, mas você é um idiota mesmo, né? Desde quando fazer isso é um bom trabalho? Milhares chegam, mas sabem quantos saem daqui? Poucos! A maioria também para servir as falanges de Exu. O grande problema é que os médiuns de Umbanda, pouco ou nada cuidam dos que aqui ficam precisando de ajuda. Nossa missão aqui é transformar os antigos valores desses espíritos, mesmo que seja através da dor. Mas, depois disso, muitos precisam ser curados, tratados. E dessa parte os umbandistas não querem nem saber! Ah, ainda eu pego o maldito que disseminou que Umbanda só serve para cortar magias negras e resolver dificuldades materiais. Vocês adoram falar sobre amor e caridade, mas quase ninguém se importa em vir até aqui cuidar desses que vocês mesmos mandaram para cá.

- É que muitos não sabem como fazer isso amigo! - tentei eu defender os umbandistas.

- Claro que não sabem! Só se preocupam em "cortar demandas", combater feitiços e destruir "demônios das trevas". Grandes guerreiros! Mas nada fazem sem os vossos Exus, parecendo mais grandes bebês chorões querendo brincar de guerra! Lembre - se bem. Todos que a mão esquerda derrubar terão que subir pela mão direita. Essa é a Lei. Comecem a se conscientizar que ninguém aqui gosta de ver o sofrimento alheio. Comecem a ter uma visão mais ampla do universo espiritual e da forma como a umbanda relaciona-se com ele. Dedique-se mais a esses que são encaminhados nos trabalhos espirituais. Ore por eles, faça uma vibração por eles, tratem-os com a luz das velas e do coração. Busquem o conhecimento e forma de auxiliá-los. Quero ver se amanhã, quando você não agüentar mais o chicote, e não tiver ninguém para te estender a mão, você vai achar tão "glamuroso" esse ciclo infernal de demandas, perseguições e magias negativas. Isso aqui é só sujeira, ódio, desgraça e tristeza. Poucos têm coragem de pousar os olhos sobre essas paragens sombrias.

- É, isso é verdade. Muitos falam, mas poucos realmente conhecem a verdadeira situação do astral inferior a qual a Umbanda e toda a humanidade está ligada, não é mesmo?

- Hahaha, até que você não é tão idiota! Olha, vou dar um jeito de você lembrar essa conversa ao acordar. Vê se escreve isso pros seus amigos umbandistas! E para de reclamar da vida. Quer melhorar? Trabalhe mais!

- Tá certo seu Exu Ganga. Só mais uma coisa. Um dia desses li num livro que Ganga é uma falange relacionada ao "lixo". Mas você apresenta - se como um negro e ao julgar por esses facões nas vossas mãos, acho que nada tem a ver com o lixo...

- Lixo é esse livro que você andou lendo! Ganga é uma corruptela do termo Nganga, do tronco lingüístico bantu. Quer dizer "o mestre", aquele que domina algo. O termo foi usado por muitos, desde sacerdotes até mestres na arte da caça, da guerra, da magia, etc. Algo parecido com o Kimbanda, mas esse, mais relacionado diretamente a cura e a prática de Mbanda. A linha de Exus Ganga é formada por antigos sacerdotes e guerreiros negros. É isso! Vê se queima a porcaria do livro onde você leu essa besteira de "lixo"...

Pouca coisa lembro depois disso. Despertei no corpo físico, era madrugada e não fui dormir mais. Agora estou acabando de escrever esse texto, onde juntei duas experiências em relação a Exu. Não sei porque fiz isso, talvez pelo caráter desmistificador da sua figura.

Pra falar a verdade, essas duas estórias são bem diferentes. Primeiro um Exu que chora, sorri e ensina o bom humor, o auto-conhecimento e o não julgamento. Depois um Exu que preocupa-se com o "pessoal lá de baixo". Diferente, principalmente daquilo que estamos acostumados a ouvir dentro do meio umbandista.

Talvez Exu esteja mudando. Talvez nós, médiuns e umbandistas, estejamos mudando. Talvez a umbanda está mudando.

Ou, quem sabe, a Umbanda e Exu sempre foram assim, nós que não compreendemos direito aquilo que está muito perto de nós, mas é tão diferente ao mesmo tempo.

Dizem que o pior cego é aquele que não quer ver...

 

Autor: Fernando Sepe

 

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domingo, 8 de setembro de 2013

Formas Plasmadas e Hierarquia Espiritual

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Sabemos que os “espíritos”, já adaptados ao mundo espiritual, conhecedores de alguns dos mistérios que a mente pode acessar através de suas faculdades despertas, conseguem plasmar aparências para seus corpos espirituais e roupas para cobri-los.

Baseado neste conceito simples se assenta um dos mistérios que envolvem as hierarquias e falanges do astral, onde se inclui as linhas de trabalho da Umbanda . Conhecemos linhas de trabalho onde existem milhares e milhares de entidades que usam o mesmo nome e mesma aparência, por exemplo: Caboclo Pena Branca . São muitos que incorporam ao mesmo tempo em vários médiuns, respondendo pelo mesmo “Mistério” (no caso o Mistério Pena Branca), que é chefiado por um hierarca que deu inicio a esta falange, os demais assumem a forma plasmada deste, e por afinidade tem um trabalho parecido de uns com os outros.

Conseguem manter uma comunicação ativa entre os membros da hierarquia, enquanto em trabalho, onde aqueles que estão “acima” tem consciência do trabalho dos que se encontram “abaixo”, em hierarquia, o que garante a responsabilidade da entidade assentada no topo, que é o “dono do nome”, de suster o trabalho dos demais e dá a eles o direito de se apresentarem como tal, pelo nome do “mistério”.

Existem casos de espíritos mal intencionados no astral que tentam se passar por entidades de Lei atuantes na Umbanda, o que é considerado como uma transgressão, e que é dado a devida corrigenda, vejamos dois exemplos citados no livro “As Sete Linhas de Umbanda” de Rubens Saraceni , pg.161:

Caso Nº1 : Certa vez, um espírito zombeteiro baixou numa reunião espirita familiar e apresentou-se como sendo um “nego”, um preto-velho da linha dos João do Cruzeiro. Memorizou a forma plasmada e as vestimentas simbólicas do preto-velho, e logo que pode, “baixou” na reunião e se apresentou como Pai João do Cruzeiro.

O espírito em questão não passava de um arrivista inconseqüente, que tendo sido afastado de um consulente em uma tenda de Umbanda por um Pai João do Cruzeiro, memorizou sua forma plasmada e vestimentas simbólicas, e logo que pode “baixou” na reunião e se apresentou como sendo o preto-velho. O mentor da filha que dirigia o trabalho nada obstou ao pretenso “nego”, que cativou a atenção de todos os encarnados com a sua “humilde“ eloqüência africana. Mas após o encerramento da reunião, o mentor comunicou-se com a hierarquia dos Pai João do Cruzeiro sobre o procedimento incomum de um de seus membros. O caso despertou a curiosidade do próprio hierarca Pai João do Cruzeiro, que na reunião seguinte, ocultado numa aparência “comum”, assistiu mais uma manifestação do impostor, e o identificou como um zombeteiro muito bem disfarçado, que pitou tomou café e até... comeu um saboroso bolo que a filha havia lhe feito, atendendo a um pedido seu da semana anterior. O hierarca Pai João do Cruzeiro permaneceu ali até o final da reunião.

Quando o então todo satisfeito zombeteiro desincorporou, ele o abordou saudando-o reverentemente. Quando o falso Pai João abaixou-se “recurvado” para responder a saudação, algo aconteceu à sua “espinha”, deixando-o curvado e sem conseguir voltar a posição ereta. Por muitos anos, o zombeteiro andou curvado e com a cabeça encostada no solo, pois o hierarca Pai João do Cruzeiro também tirou dele a possibilidade de voltar. Justo castigo a um zombeteiro plasmado de nego, e coberto com uma vestimenta caracterizadora da hierarquia de ação e trabalhos espirituais cujo nome simbólico é “Pai João do Cruzeiro”.

Caso Nº2 : “Andava” por aí, baixando em trabalhos de descarga (descarregos), um certo “Exu Sete Porteiras”, que exigia despachos generosos para desmanchar trabalhos a ele encomendados. E não satisfeito, ainda criava confusões em engiras de esquerda, sempre ostentando a veste de Exu Sete Porteiras. O falso Sete Porteiras era astuto e chegou a ferir um médium que o transportara. Isto despertou a atenção do Exu Guardião do médium, pois num trabalho de descarga tal procedimento é inadmissível! Normalmente o Exu vem, desmancha o trabalho feito e se retira ordeiramente, pois sabe que se ultrapassar certos limites, pagará um preço “dolorido”. Após a reação do Exu Guardião do médium, o Senhor Exu Sete Porteiras ficou alerta e ativou seu mistério para aprisionar o impostor assim que baixasse em alguma sessão de descarrego.

Logo o mistério Sete Porteiras, capturou o falso exú, que outro não era, senão um poderosíssimo “grande das trevas” que havia sido afastado do plano matéria-espirito por um dos exus de lei do mistério Sete Porteiras. Era pura vingança, e para concretizá-la, nada melhor que desarmonizar toda uma hierarquia, pensara o tal “grande das trevas”. Acorrentado, foi conduzido a todos os centros onde causara desarmonias. Depois de ter esclarecido tudo, algo contundente e cortante atingiu-o no metal, reduzindo-o a um ovóide, e em sua dor final ele foi lançado. Justa punição a um “caído” que ousou assumir a forma plasmada dos Exus Sete Porteiras, e cobrir-se com suas vestes simbólicas.

Esses dois casos são exemplos do que costuma acontecer com espíritos que ousam assumir as formas plasmadas alheias ou cobrir-se com vestes simbólicas das hierarquias de ação e trabalhos espirituais identificadoras das hierarquias assentadas do Ritual de Umbanda Sagrada.

Autor: Alexandre Cumino

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